Vivemos uma rápida transformação da nossa sociedade, em que a informação flui de uma forma bastante rápida e muitas das vezes em tempo real. As pessoas nunca estiveram tão ligadas como agora através das várias plataformas digitais.

Contudo, existe uma indústria que está a crescer e a afetar gravemente a nossa sociedade atual, a divulgação de notícias falsas, um modelo de negócio muito rentável que tem proporções à escala global. Esta indústria tem maior impacto em muitos atos eleitorais, como, por exemplo, a eleição de Donald Trump para presidente dos Estados Unidos, altura em que inúmeros eleitores terão sido enganados.

A internet possibilitou aos cidadãos participarem e fazerem-se ouvir nos mais diversos assuntos. O poder da informação aumentou e as redes sociais alimentaram uma tendência de mobilização e várias revoluções. Diversos estados sentiram necessidades de controlar os fluxos de informação, como a China e a Rússia, por via da aplicação de sistemas que introduzem nas redes socais informações erradas com o principal intuito de reforçar o poder dos regimes políticos.

O fenómeno da informação falsa utiliza as redes sociais como o cúmplice prefeito. É através delas que as notícias falsas se tornam virais e transmitem uma imagem de credibilidade.

Segundo dados da Marktest, cerca de um milhão de portugueses lê notícias nas redes sociais, com tendência a crescer cada vez mais, em Portugal e no mundo. Por este motivo, é necessário encontrar mecanismos para combater esta praga.

A maior rede social do mundo, o Facebook, é a principal a ser afetada pela invasão de notícias falsas e está a implementar novos sistemas para controlar as inverdades. Desde a criação de algoritmos com capacidade de classificar a desinformação, passando por dar aos seus utilizadores o poder de reportar notícias falsas e criar parcerias com a comunicação social.

Os meios de comunicação social estão a reinventar-se e precisam de encontrar modelos de negócio adaptados às novas realidades e financeiramente sustentáveis para não fecharem, e têm agora um novo desafio com uma concorrência desleal desta indústria de informação falsa, através de várias formas, como a criação de réplicas com nomes idênticos para difundirem notícias falsas.

Estamos perante um verdadeiro vírus que merece maior atenção dos governos. É urgente criar legislação para sustentar um combate mais ativo na proliferação destes vírus de informação.